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Protocolo clínico para a realização de procedimentos odontológicos invasivos em pacientes anticoagulados – Parte I

novembro 19, 2017 | por Cursos Evolua | blog

Pacientes portadores de algumas condições como trombose venosa profunda, fibrilação atrial, válvulas cardíacas artificiais, necessitam realizar terapia anticoagulante, a fim de minimizar complicações trombóticas. Os fármacos utilizados para este fim são os anticoagulantes, os agentes anti-agregantes plaquetários e os fibrinolíticos, utilizados isoladamente ou em associação.




O uso contínuo destes medicamentos aumenta o risco de eventos hemorrágicos. A decisão de manter ou suspender a terapia antes de procedimentos invasivos deve estar baseada no risco do sangramento versus o risco de complicações trombóticas. Por este motivo, a manutenção da terapia anticoagulante tem sido defendida, desde que recursos adicionais para a obtenção da hemostasia sejam adotados.   Classificação do risco de sangramento em procedimentos odontológicos BAIXO RISCO
  • Extrações simples
  • Pequenas biópsias
  • Raspagem periodontal
  • Pulpectomia
  • Aumento de coroa clínica
ALTO RISCO
  • Exodontias múltiplas
  • Exodontia de inclusos
  • Enucleação de lesões
  • Biópsias extensas
  • Instalação de implantes
  • Cirurgia periodontal
  Classificação do risco de complicações trombóticas BAIXO RISCO
  • Fibrilação atrial (FA) sem história de acidente vascular cerebral (AVC)
  • Trombose venosa há mais de 6 meses
  • Cardiomiopatia sem fibrilação atrial
  • Portador de válvula aórtica com <2 fatores de risco para AVC
MODERADO RISCO
  • Disco de válvula aórtica com ≥2 fatores de risco para AVC
  • FA com ≥2 fatores de risco para AVC
  • Trombose venosa há menos de seis meses
ALTO RISCO
  • Válvula mitral mecânica
  • Trombose venosa a menos de 3 meses
  • Estado de hipercoagulabilidade
  • FA com história de AVC
  • Infarto agudo do miocárdio com menos de 3 meses
  • AVC e isquemia transitória recente
Recursos adicionais para obtenção da hemostasia
  • Suturas
  • Cola de fibrina
  • Esponjas e membranas hemostáticas
  • Agentes antifibrinolíticos de uso sistêmico ou tópico.
  Atendimento para usuários dos novos anticoagulantes (inibidores diretos dos fatores IIa e Xa)
  • Recentes no mercado: dabigatrana, rivaroxabana, apixabana
  • Não exigem monitorização laboratorial.
  • Pacientes portadores de condições cardíacas predisponentes a endocardite bacteriana deverão receber profilaxia antibiótica conforme recomendações da Associação Americana de Cardiologia (AHA).
  • O risco de sangramento parece ser semelhante ao dos anticoagulantes tradicionais. Como não existem muitos estudos avaliando o risco de sangramento em procedimentos invasivos orais, recomenda-se discutir com o médico assistente a melhor estratégia a seguir.
  Na parte 2, você confere: protocolo para pacientes em uso de anticoagulantes tradicionais e antiagregantes plaquetários   Autores: Rosangela Varella da Silva CRO 20472 - RJ Mestre em Cirurgia Buco Maxilo Facial pela UFRJ Doutoranda do Programa de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFRJ   Sandra Regina Torres CRO 10205 - RJ Professora Adjunta do Departamento de Patologia e Diagnóstico Oral da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Coordenadora do Programa Saúde Bucal Especial do hospital Universitário Clementino fraga Filho da UFRJ   (Artigo publicado originalmente pelo CRO, disponível para download AQUI)